Glossário de golpes e burlas online: phishing, smishing, falso funcionário do banco, dropshipping e mais
Os golpes (ou burlas, em Portugal) têm vocabulário próprio: phishing, smishing, spoofing, «pig butchering»… Estas palavras aparecem nas notícias, nas mensagens do seu banco e nas conversas com a polícia, e nem sempre é claro o que querem dizer. Este glossário explica-as de forma simples, com exemplos concretos e, quando útil, um link para o guia que detalha como reagir. Não é aconselhamento jurídico; no fim encontra a quem recorrer em Portugal, no Brasil e noutros países.
O essencial
- O phishing quer que seja você a entregar as suas credenciais ou os códigos do banco.
- O número que aparece no ecrã, ou o nome do remetente, podem ser falsificados (spoofing).
- Um funcionário verdadeiro nunca lhe pedirá para aprovar uma operação «para a cancelar».
- Há várias vias para denunciar e pedir ajuda: o seu banco, a polícia, e as entidades de defesa do consumidor do seu país.
- Um termo técnico que não percebe numa mensagem é muitas vezes sinal de que alguém quer impressioná-lo.
Golpes por mensagem e por telefone
- Phishing
- Uma mensagem (e-mail, SMS, rede social) que imita uma organização conhecida (banco, Finanças ou Receita Federal, operadora, transportadora) para o levar a clicar num site falso e introduzir credenciais, número de cartão ou um código recebido por SMS. O site falso parece o verdadeiro, mas o endereço é outro. Veja como verificar um e-mail ou número suspeito.
- Smishing
- Phishing por SMS. Um clássico: um falso aviso de encomenda pede, por um link, alguns euros (ou reais) de «taxa de entrega». Veja como reagir aos SMS falsos de entrega.
- Vishing
- Phishing por telefone («voice phishing»): um falso funcionário, falso agente ou falso técnico pressiona-o durante a chamada.
- Quishing
- Phishing por código QR: um código colado num parquímetro, uma carta falsa ou um e-mail leva-o a um site falso. Não digitalize um QR de origem desconhecida.
- Spoofing
- Falsificar o que aparece no ecrã: o número que liga ou o nome do remetente. O número do seu banco pode aparecer no telemóvel embora a chamada venha de outro lado. O ecrã não prova nada: desligue e ligue você, por um canal que conheça.
- Falso funcionário do banco (golpe da falsa central)
- Um falso funcionário liga para «proteger» a sua conta e faz com que aprove operações na app ou leia códigos. Se já aprovou algo, contacte de imediato o seu banco.
- Chamada perdida («wangiri»)
- Um número, muitas vezes estrangeiro ou de valor acrescentado, toca uma vez para que ligue de volta. Retornar a chamada pode custar muito. Não ligue para um número desconhecido.
- Número de valor acrescentado
- Um número (em Portugal, por exemplo, os que começam por 760 ou 761) cuja chamada custa mais do que a tarifa normal. Uma empresa séria não deve levá-lo a ligar para um para «receber» ou «ganhar» algo.
- Telemarketing
- Chamadas comerciais não solicitadas. No Brasil, pode registar-se gratuitamente na lista Não Me Perturbe, das operadoras de telecomunicações. Em Portugal, pode denunciar chamadas comerciais abusivas à ANACOM ou à CNPD.
- Golpe do Pix e do MB WAY
- Pedem-lhe um pagamento instantâneo «para reservar», dizem que «enviaram dinheiro por engano» ou fazem-se passar por um familiar com um número novo. Pagamentos instantâneos são difíceis de reverter: confirme sempre a identidade por outro canal antes de pagar. No Brasil, o Pix tem um mecanismo de devolução em caso de fraude (MED), mas só funciona se contactar o banco depressa.
- Golpe do «novo número» (falso familiar)
- Uma mensagem de WhatsApp («oi mãe, mudei de número») de um falso filho ou filha que precisa de dinheiro já. Antes de pagar, ligue para o número que conhece dessa pessoa.
Golpes ao comprar e ao vender
- Loja falsa
- Uma loja montada em poucas horas, com produtos reais fotografados noutro lado, preços muito baixos e avaliações inventadas. Cobra e desaparece. Veja como saber se um site é golpe.
- Dropshipping
- Modelo de venda em que o vendedor não tem stock: compra o produto a um fornecedor (muitas vezes longe) depois do seu pedido. É legal em si, mas é usado por lojas que inflacionam preços e entregam muito tarde ou nunca. Veja como reconhecer um site de dropshipping.
- Avaliações falsas
- Opiniões fabricadas ou compradas para inflar uma nota. Pistas: notas perfeitas em rajada, frases repetidas, perfis vazios. Veja os sinais de alerta.
- Pagamento fora da plataforma
- Um vendedor ou «proprietário» pede um sinal ou um pagamento por transferência, cartão pré-pago ou Pix fora da plataforma, que é a única coisa que o protege. Frequente em anúncios de usados e de arrendamento. Veja comprar usado online sem cair em golpe.
- Contrafação
- Produto que imita uma marca sem autorização. Um preço muito baixo, erros na embalagem e um vendedor sem histórico são pistas.
- Contestação de pagamento («chargeback»)
- Procedimento pelo qual o banco pode, em certos casos, reverter um pagamento com cartão contestado (não entrega, fraude). Guarde as provas e contacte o banco depressa.
- Direito de livre resolução (Portugal) / direito de arrependimento (Brasil)
- O direito de anular uma compra à distância feita a um profissional. Na União Europeia, em princípio no prazo de 14 dias, com exceções; no Brasil, 7 dias a contar do recebimento, nos termos do Código de Defesa do Consumidor. Não existe entre particulares.
Burlas financeiras e de identidade
- Burla de investimento
- Uma plataforma falsa (criptomoedas, forex, «trading automático») que mostra ganhos inventados e depois bloqueia os levantamentos. Desconfie de rendimentos garantidos e de anúncios com famosos.
- «Pig butchering»
- Burla longa: o burlão ganha confiança, muitas vezes com uma relação amorosa, e leva-o a investir quantias cada vez maiores numa plataforma falsa antes de fazer tudo desaparecer.
- Golpe do romance
- Uma relação falsa online que acaba num pedido de dinheiro («emergência», viagem, taxas alfandegárias).
- Esquema de Ponzi
- Sistema em que o «rendimento» dos primeiros investidores é pago com o dinheiro dos seguintes. Desmorona quando deixa de entrar dinheiro novo.
- Roubo de identidade
- Uso dos seus dados pessoais (documentos, dados bancários) para agir em seu nome: pedir um crédito, abrir uma conta, contratar um serviço.
- Listas de alerta dos reguladores
- A CMVM em Portugal e a CVM no Brasil publicam alertas sobre entidades que oferecem investimentos sem autorização. Constar dessas listas é um sinal forte; não constar não garante nada.
- Fraude do CEO
- Burla dirigida sobretudo a empresas: um falso dirigente ou fornecedor pede uma transferência urgente ou a alteração de dados bancários.
Termos úteis para verificar e reagir
- NIF/NIPC (Portugal), CNPJ (Brasil)
- Números que identificam uma empresa. Uma loja online deve indicar quem a gere, morada, número de registo e contacto: a sua ausência ou incoerência é um sinal de alerta. Em Portugal, o registo comercial pode ser consultado na Certidão Permanente; no Brasil, o CNPJ pode ser consultado na Receita Federal.
- Nome de domínio, RDAP, whois
- O domínio é o endereço de um site (exemplo.com). Os diretórios RDAP e whois indicam, entre outras coisas, a data de criação: um domínio com poucos dias que se diz marca consolidada é suspeito.
- Typosquatting
- Domínio deliberadamente parecido com um verdadeiro (uma letra trocada, um hífen a mais) para apanhar quem se engana a escrever ou clica à pressa.
- Autenticação de dois fatores, 3-D Secure
- Passo adicional para confirmar um acesso ou um pagamento (um código, uma aprovação na app). Protege-o, mas nunca deve ser aprovado a pedido de um desconhecido: aprovar uma operação «para a anular» é, na verdade, confirmá-la.
- Engenharia social
- Conjunto de técnicas que manipulam as pessoas em vez das máquinas: urgência, autoridade, medo, lisonja.
Onde denunciar e pedir ajuda
Primeiro, se perdeu dinheiro ou deu credenciais: contacte de imediato o seu banco para bloquear, contestar ou tentar recuperar a operação. Depois:
- Portugal
- Apresente queixa à PSP, à GNR ou à Polícia Judiciária, ou através do sistema Queixa Eletrónica. O Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) recebe comunicações de incidentes como phishing e sites falsos. O Livro de Reclamações Eletrónico e o Portal da Queixa servem para reclamar de empresas identificadas; a DECO PROteste apoia consumidores; a ANACOM regula as comunicações e os números de valor acrescentado. Para compras noutro país da UE, o Centro Europeu do Consumidor orienta.
- Brasil
- Registe um boletim de ocorrência, em muitos estados pela delegacia virtual (existem delegacias especializadas em crimes cibernéticos). O Procon e a plataforma consumidor.gov.br recebem reclamações de consumo. A Anatel (1331) trata de telefonia, e a lista Não Me Perturbe bloqueia o telemarketing. A SaferNet Brasil recebe denúncias de crimes na internet. Para fraude com Pix, contacte o banco imediatamente e peça a devolução pelo MED.
- Outros países lusófonos
- Recorra ao seu banco, à polícia local e ao organismo de defesa do consumidor do seu país. As vias variam: na dúvida, comece pelo banco.
Mais detalhes em o que fazer após um golpe online.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre phishing, smishing e vishing?
É o mesmo princípio por canais diferentes: o phishing sobretudo por e-mail, o smishing por SMS e o vishing por telefone. Em todos os casos o objetivo é que entregue informação ou aprove você mesmo uma operação.
Posso confiar num número que aparece como o do meu banco?
Não. Um número apresentado pode ser falsificado. Desligue e ligue ao banco pela app ou pelo número impresso no cartão.
O que faço se cliquei num link suspeito?
Não introduza nada. Se já deu credenciais ou códigos, mude rapidamente as palavras-passe e avise o banco. O nosso guia «o que fazer após um golpe» detalha os passos.
Como sei se uma loja online é golpe?
Nenhum sinal basta por si só. Veja a idade do domínio, os dados da empresa, as avaliações externas e os meios de pagamento, e cruze com um verificador.
Este glossário substitui aconselhamento jurídico?
Não. Dá referências gerais. Para um caso concreto, recorra a uma associação de consumidores, ao banco ou a um advogado.