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Glossário de golpes e burlas online: phishing, smishing, falso funcionário do banco, dropshipping e mais

Por Scan Raccoon · Atualizado em 18 de outubro de 2026 · 8 min de leitura

Os golpes (ou burlas, em Portugal) têm vocabulário próprio: phishing, smishing, spoofing, «pig butchering»… Estas palavras aparecem nas notícias, nas mensagens do seu banco e nas conversas com a polícia, e nem sempre é claro o que querem dizer. Este glossário explica-as de forma simples, com exemplos concretos e, quando útil, um link para o guia que detalha como reagir. Não é aconselhamento jurídico; no fim encontra a quem recorrer em Portugal, no Brasil e noutros países.

O essencial

  • O phishing quer que seja você a entregar as suas credenciais ou os códigos do banco.
  • O número que aparece no ecrã, ou o nome do remetente, podem ser falsificados (spoofing).
  • Um funcionário verdadeiro nunca lhe pedirá para aprovar uma operação «para a cancelar».
  • Há várias vias para denunciar e pedir ajuda: o seu banco, a polícia, e as entidades de defesa do consumidor do seu país.
  • Um termo técnico que não percebe numa mensagem é muitas vezes sinal de que alguém quer impressioná-lo.

Golpes por mensagem e por telefone

Phishing
Uma mensagem (e-mail, SMS, rede social) que imita uma organização conhecida (banco, Finanças ou Receita Federal, operadora, transportadora) para o levar a clicar num site falso e introduzir credenciais, número de cartão ou um código recebido por SMS. O site falso parece o verdadeiro, mas o endereço é outro. Veja como verificar um e-mail ou número suspeito.
Smishing
Phishing por SMS. Um clássico: um falso aviso de encomenda pede, por um link, alguns euros (ou reais) de «taxa de entrega». Veja como reagir aos SMS falsos de entrega.
Vishing
Phishing por telefone («voice phishing»): um falso funcionário, falso agente ou falso técnico pressiona-o durante a chamada.
Quishing
Phishing por código QR: um código colado num parquímetro, uma carta falsa ou um e-mail leva-o a um site falso. Não digitalize um QR de origem desconhecida.
Spoofing
Falsificar o que aparece no ecrã: o número que liga ou o nome do remetente. O número do seu banco pode aparecer no telemóvel embora a chamada venha de outro lado. O ecrã não prova nada: desligue e ligue você, por um canal que conheça.
Falso funcionário do banco (golpe da falsa central)
Um falso funcionário liga para «proteger» a sua conta e faz com que aprove operações na app ou leia códigos. Se já aprovou algo, contacte de imediato o seu banco.
Chamada perdida («wangiri»)
Um número, muitas vezes estrangeiro ou de valor acrescentado, toca uma vez para que ligue de volta. Retornar a chamada pode custar muito. Não ligue para um número desconhecido.
Número de valor acrescentado
Um número (em Portugal, por exemplo, os que começam por 760 ou 761) cuja chamada custa mais do que a tarifa normal. Uma empresa séria não deve levá-lo a ligar para um para «receber» ou «ganhar» algo.
Telemarketing
Chamadas comerciais não solicitadas. No Brasil, pode registar-se gratuitamente na lista Não Me Perturbe, das operadoras de telecomunicações. Em Portugal, pode denunciar chamadas comerciais abusivas à ANACOM ou à CNPD.
Golpe do Pix e do MB WAY
Pedem-lhe um pagamento instantâneo «para reservar», dizem que «enviaram dinheiro por engano» ou fazem-se passar por um familiar com um número novo. Pagamentos instantâneos são difíceis de reverter: confirme sempre a identidade por outro canal antes de pagar. No Brasil, o Pix tem um mecanismo de devolução em caso de fraude (MED), mas só funciona se contactar o banco depressa.
Golpe do «novo número» (falso familiar)
Uma mensagem de WhatsApp («oi mãe, mudei de número») de um falso filho ou filha que precisa de dinheiro já. Antes de pagar, ligue para o número que conhece dessa pessoa.

Golpes ao comprar e ao vender

Loja falsa
Uma loja montada em poucas horas, com produtos reais fotografados noutro lado, preços muito baixos e avaliações inventadas. Cobra e desaparece. Veja como saber se um site é golpe.
Dropshipping
Modelo de venda em que o vendedor não tem stock: compra o produto a um fornecedor (muitas vezes longe) depois do seu pedido. É legal em si, mas é usado por lojas que inflacionam preços e entregam muito tarde ou nunca. Veja como reconhecer um site de dropshipping.
Avaliações falsas
Opiniões fabricadas ou compradas para inflar uma nota. Pistas: notas perfeitas em rajada, frases repetidas, perfis vazios. Veja os sinais de alerta.
Pagamento fora da plataforma
Um vendedor ou «proprietário» pede um sinal ou um pagamento por transferência, cartão pré-pago ou Pix fora da plataforma, que é a única coisa que o protege. Frequente em anúncios de usados e de arrendamento. Veja comprar usado online sem cair em golpe.
Contrafação
Produto que imita uma marca sem autorização. Um preço muito baixo, erros na embalagem e um vendedor sem histórico são pistas.
Contestação de pagamento («chargeback»)
Procedimento pelo qual o banco pode, em certos casos, reverter um pagamento com cartão contestado (não entrega, fraude). Guarde as provas e contacte o banco depressa.
Direito de livre resolução (Portugal) / direito de arrependimento (Brasil)
O direito de anular uma compra à distância feita a um profissional. Na União Europeia, em princípio no prazo de 14 dias, com exceções; no Brasil, 7 dias a contar do recebimento, nos termos do Código de Defesa do Consumidor. Não existe entre particulares.

Burlas financeiras e de identidade

Burla de investimento
Uma plataforma falsa (criptomoedas, forex, «trading automático») que mostra ganhos inventados e depois bloqueia os levantamentos. Desconfie de rendimentos garantidos e de anúncios com famosos.
«Pig butchering»
Burla longa: o burlão ganha confiança, muitas vezes com uma relação amorosa, e leva-o a investir quantias cada vez maiores numa plataforma falsa antes de fazer tudo desaparecer.
Golpe do romance
Uma relação falsa online que acaba num pedido de dinheiro («emergência», viagem, taxas alfandegárias).
Esquema de Ponzi
Sistema em que o «rendimento» dos primeiros investidores é pago com o dinheiro dos seguintes. Desmorona quando deixa de entrar dinheiro novo.
Roubo de identidade
Uso dos seus dados pessoais (documentos, dados bancários) para agir em seu nome: pedir um crédito, abrir uma conta, contratar um serviço.
Listas de alerta dos reguladores
A CMVM em Portugal e a CVM no Brasil publicam alertas sobre entidades que oferecem investimentos sem autorização. Constar dessas listas é um sinal forte; não constar não garante nada.
Fraude do CEO
Burla dirigida sobretudo a empresas: um falso dirigente ou fornecedor pede uma transferência urgente ou a alteração de dados bancários.

Termos úteis para verificar e reagir

NIF/NIPC (Portugal), CNPJ (Brasil)
Números que identificam uma empresa. Uma loja online deve indicar quem a gere, morada, número de registo e contacto: a sua ausência ou incoerência é um sinal de alerta. Em Portugal, o registo comercial pode ser consultado na Certidão Permanente; no Brasil, o CNPJ pode ser consultado na Receita Federal.
Nome de domínio, RDAP, whois
O domínio é o endereço de um site (exemplo.com). Os diretórios RDAP e whois indicam, entre outras coisas, a data de criação: um domínio com poucos dias que se diz marca consolidada é suspeito.
Typosquatting
Domínio deliberadamente parecido com um verdadeiro (uma letra trocada, um hífen a mais) para apanhar quem se engana a escrever ou clica à pressa.
Autenticação de dois fatores, 3-D Secure
Passo adicional para confirmar um acesso ou um pagamento (um código, uma aprovação na app). Protege-o, mas nunca deve ser aprovado a pedido de um desconhecido: aprovar uma operação «para a anular» é, na verdade, confirmá-la.
Engenharia social
Conjunto de técnicas que manipulam as pessoas em vez das máquinas: urgência, autoridade, medo, lisonja.

Onde denunciar e pedir ajuda

Primeiro, se perdeu dinheiro ou deu credenciais: contacte de imediato o seu banco para bloquear, contestar ou tentar recuperar a operação. Depois:

Portugal
Apresente queixa à PSP, à GNR ou à Polícia Judiciária, ou através do sistema Queixa Eletrónica. O Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS) recebe comunicações de incidentes como phishing e sites falsos. O Livro de Reclamações Eletrónico e o Portal da Queixa servem para reclamar de empresas identificadas; a DECO PROteste apoia consumidores; a ANACOM regula as comunicações e os números de valor acrescentado. Para compras noutro país da UE, o Centro Europeu do Consumidor orienta.
Brasil
Registe um boletim de ocorrência, em muitos estados pela delegacia virtual (existem delegacias especializadas em crimes cibernéticos). O Procon e a plataforma consumidor.gov.br recebem reclamações de consumo. A Anatel (1331) trata de telefonia, e a lista Não Me Perturbe bloqueia o telemarketing. A SaferNet Brasil recebe denúncias de crimes na internet. Para fraude com Pix, contacte o banco imediatamente e peça a devolução pelo MED.
Outros países lusófonos
Recorra ao seu banco, à polícia local e ao organismo de defesa do consumidor do seu país. As vias variam: na dúvida, comece pelo banco.

Mais detalhes em o que fazer após um golpe online.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre phishing, smishing e vishing?

É o mesmo princípio por canais diferentes: o phishing sobretudo por e-mail, o smishing por SMS e o vishing por telefone. Em todos os casos o objetivo é que entregue informação ou aprove você mesmo uma operação.

Posso confiar num número que aparece como o do meu banco?

Não. Um número apresentado pode ser falsificado. Desligue e ligue ao banco pela app ou pelo número impresso no cartão.

O que faço se cliquei num link suspeito?

Não introduza nada. Se já deu credenciais ou códigos, mude rapidamente as palavras-passe e avise o banco. O nosso guia «o que fazer após um golpe» detalha os passos.

Como sei se uma loja online é golpe?

Nenhum sinal basta por si só. Veja a idade do domínio, os dados da empresa, as avaliações externas e os meios de pagamento, e cruze com um verificador.

Este glossário substitui aconselhamento jurídico?

Não. Dá referências gerais. Para um caso concreto, recorra a uma associação de consumidores, ao banco ou a um advogado.

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