Scan Raccoon
Blog › Guia antigolpe
Guia antigolpe

Golpe do aluguel de temporada e férias: como reservar sem cair

Por Scan Raccoon · Atualizado em 18 de outubro de 2026 · 8 min de leitura

Uma casa de praia com preço camarada, um proprietário simpático, um sinal para «segurar as datas»: o aluguel por temporada (alojamento local, em Portugal) é um dos alvos favoritos dos golpistas, porque o pagamento acontece semanas antes da viagem e a fraude costuma ser descoberta na chegada, de mala na mão. Veja como esses golpes funcionam e como reservar um lugar com o mínimo de risco, no Brasil e em Portugal.

O essencial

  • Converse E pague dentro da plataforma: é lá que as proteções valem.
  • Confirme que as fotos e o endereço existem de verdade (busca reversa de imagem, mapa online).
  • Desconfie de preço muito abaixo do mercado e de proprietário que insiste em Pix ou transferência.
  • Falsa mensagem da plataforma com link de pagamento é um golpe clássico.
  • Peça visita por vídeo e contrato por escrito antes de enviar qualquer sinal.

Os golpes mais comuns

Sinais de alerta

  1. Preço bem abaixo do mercado para a região e a época (Réveillon, Carnaval, verão europeu). Compare com imóveis parecidos.
  2. Pressão para reservar rápido: «tem muita procura», «preciso do sinal hoje».
  3. Recusa de mostrar o lugar, pessoalmente ou por vídeo, ou desculpas constantes para não falar ao telefone.
  4. Pedido de Pix para conta de terceiro, transferência, vale, cartão pré-pago ou criptomoeda, sobretudo para conta no exterior ou em nome diferente do anfitrião.
  5. Conversa que sai da plataforma logo nas primeiras mensagens.
  6. Mensagens-modelo ou respostas que não respondem às suas perguntas.
  7. Nenhuma avaliação no anúncio ou no perfil, ou avaliações recentes, vagas e só elogiosas.

Verificações antes de pagar

Pagar com menos risco

O princípio é simples: nunca saia da plataforma. As grandes plataformas de reserva retêm o pagamento por um tempo e só o repassam ao anfitrião depois da sua chegada, o que protege você. Assim que alguém propõe pagar por fora, essa proteção some. Se for pagar direto a uma agência ou a um proprietário, prefira cartão de crédito, que oferece mais margem de contestação do que Pix, transferência ou MB WAY, e evite qualquer pagamento a uma conta em país sem relação com o imóvel.

Se pagar por Pix, confira antes de confirmar o nome do recebedor mostrado no app: se não bate com o anfitrião ou a empresa, pare. Lembre que o Pix é instantâneo e difícil de reverter; o MED (Mecanismo Especial de Devolução) pode ajudar em casos de golpe, mas só se você agir rápido. Em Portugal, transferências SEPA e MB WAY também são difíceis de reverter.

Cuidado com mensagem que pede para «confirmar» o pagamento por um link: abra você mesmo o site ou o app da plataforma e veja se o pedido aparece na caixa de mensagens oficial. Uma mensagem que só aparece por e-mail ou WhatsApp, com link, é suspeita.

A regra simples: antes de qualquer pagamento fora da plataforma, pergunte-se: «se esse proprietário sumir hoje à noite, quem pode me reembolsar?». Se a resposta for «ninguém», não pague.

Atenção ainda ao arrependimento: na União Europeia, o direito de livre resolução de 14 dias normalmente não se aplica a alojamento com data marcada, e no Brasil a questão é debatida e depende das regras da reserva. Leia a política de cancelamento antes de pagar e veja o guia sobre direito de arrependimento.

Se você já pagou um sinal

  1. Avise o banco imediatamente e pergunte sobre contestação ou devolução do valor. No Brasil, se foi Pix, peça o MED (até 80 dias, mas quanto antes melhor). Em Portugal, peça a tentativa de recolha da transferência ou a contestação do cartão.
  2. Denuncie o anúncio e o perfil à plataforma e ao órgão de defesa do consumidor (Procon e consumidor.gov.br no Brasil; Livro de Reclamações Eletrónico e DECO PROteste em Portugal).
  3. Guarde prints do anúncio, mensagens, comprovantes e dados da conta do beneficiário.
  4. Registre a ocorrência com essas provas: boletim de ocorrência, em muitos estados pela delegacia virtual, no Brasil; queixa à PSP, GNR ou Polícia Judiciária, ou pela Queixa Eletrónica, em Portugal.
  5. Para o passo a passo completo, leia O que fazer após um golpe online.

Chegou e não há hospedagem? Guarde todos os recibos das despesas emergenciais: podem servir na ocorrência e em pedidos de reembolso. E se algo parece errado numa mensagem, consulte como verificar um e-mail ou telefone suspeito.

Perguntas frequentes

É normal pagar sinal antes da viagem?

Sim, é comum, mas o valor deve constar em contrato escrito e o pagamento deve passar, de preferência, pela plataforma ou por um meio rastreável e protegido.

O proprietário pode pedir Pix ou transferência?

Pode propor, mas esses meios são difíceis de contestar. É sinal de alerta quando vêm junto com preço baixo, urgência, recusa de mostrar o imóvel ou conta em nome de outra pessoa.

Como saber se as fotos são roubadas?

Faça uma busca reversa de imagem. Se as fotos aparecem em outros anúncios ou sites, com outro endereço, desconfie.

E se a mensagem da plataforma parecer estranha?

Não abra o link. Entre direto no aplicativo ou site oficial e veja a reserva na sua caixa de mensagens.

Continue lendo